Quando conheci a Dorinha ela já morava lá, para onde foi com marido e filho, da mesma forma como eu e a Tati estamos indo: sem nenhuma garantia de emprego, moradia, estabilidade. Apenas a certeza de que ia começar a vida de novo e a coragem necessária para encarar essa empreitada. E deu certo. Facil não foi, mas se posso admirar uma pessoa pela forma como encarou os desafios da vida e venceu, essa é a minha escolha e aqui está a minha homenagem. É o exemplo que eu espero seguir.
Conversamos muito sobre o recomeço, as escolhas, as possibilidades que teríamos aqui e lá, e em nenhum momento eles deixaram de nos incentivar e de torcer por nós. E esse apoio foi decisivo: difícilmente estaríamos vivendo o estágio atual sem o aconselhamento deles.
Quando estivemos lá no fim do ano passado, vivemos dias inesquecíveis, conversas maravilhosas com o Uwe, o alemão mais brasileiro que eu já conheci. Até hoje rimos das discussões acaloradas e recordamos com carinho a atenção com que fomos recebidos. Passamos o Natal na Alemanha e no início do ano nos encontramos de novo em Portugal, onde ficamos mais dez dias recarregando a alma de espírito português para voltar a vida normal. Lá eles pretendiam passar a próxima etapa da vida: a aposentadoria, mais do que merecida, em um lugar culturalmente mais parecido com o Brasil e climaticamente mais quente que a Alemanha também.
Voltamos de lá renovados e mais confiantes do que nunca. As conversas sobre as experiências vividas em um outro país foram preciosas para nós e nosso plano de imigração.
Deixamos o convite, prontamente aceito, para a primeira visita em terras Canadenses, confiantes no futuro. Afinal, se conseguirmos seguir o mesmo caminho que eles, o prognóstico é bom.
A mais ou menos um mês, no dia 11 de maio, descobrimos que ela não vai mais poder visitar a gente no Canadá. Ao invés disso, ela estará se mudando para lá com a gente.

Dorinha, querida, teremos saudades.